terça-feira, 17 de abril de 2012

Corais podem sacrificar espécies para se adaptarem à temperatura dos oceanos

Desequilíbrio ambiental - 17 de abril de 2012 às 17:00

Foto: Reprodução

Conforme a temperatura dos oceanos sobe, algumas espécies de corais podem crescer às custas de outras, segundo um estudo publicado na semana passada pela revista “Current Biology“. Trata-se da primeira investigação em grande escala dos efeitos climáticos nesses ecossistemas.
- A boa notícia é que, em vez de experimentarem uma destruição em massa, muitos recifes de corais sobreviverão às mudanças climáticas – revela Terry Hughes, da Universidade James Cook, da Austrália. – Para isso, modificarão o grupo de espécies de que ali vivem, na medida em que o oceano se torna mais quente e ácido. Essa sobrevivência é importante para pessoas que dependem desse ecossistema rico e belo para alimentação, turismo ou qualquer outro fim.
Numa tentativa de entender as mudanças que acompanharão o aquecimento do oceano, os pesquisadores examinaram a composição de corais em toda a extensão da Grande Barreira de Corais da Austrália. Estudos anteriores sobre mudanças climáticas nesses ecossistemas foram realizados em escalas geográficas muito menores, priorizando a cobertura dos corais e a contagem de espécies ali inseridas, em vez dos indicadores ligados à saúde dos recifes.
- Escolhemos a icônica Grande Barreira de Corais como nosso laboratório natural porque há variações de 8 a 9 graus Celsius na temperatura da água do verão para o inverno – explica Hughes. – Também ocorrem modificações significativas no pH do oceano. Enfim, a escala dos gradientes naturais dessa região engloba exatamente as condições esperadas para as próximas décadas, considerando um quadro em que não haverá esforços da comunidade internacional para reduzir as emissões de gases-estufa.
Os pesquisadores identificaram e mediram mais de 35 mil colônias de corais em 33 recifes. O levantamento revelou uma surpreendente flexibilidade na montagem dos corais. Enquanto uma espécie declinava em abundância, outra apresentava uma tendência de crescimento. O desaparecimento de uma espécie podia se dar sem promover qualquer alteração em outras espécies do coral.
Hughes conclui que as respostas dos corais às mudanças climáticas são, provavelmente, mais complexas do que se pensava. Embora ele acredite que as temperaturas crescentes não signifiquem o fim dos recifes, há questões ainda sem respostas.
- Se os corais de formato amplo forem substituídos por outros mais restritos, com menos espaço para os peixes, a biodiversidade corre risco – adverte. – Os recifes de corais são também ameaçados por impactos locais, como a poluição e a pesca predatória. Precisamos nos voltar para todas essas ameaças, incluindo as mudanças climáticas, para dar a esses recifes de corais uma chance de lutar por seu próprio futuro.
Segundo o Censo da Vida Marinha, realizado entre 2000 e 2010, a costa australiana conta com cerca de 32,8 mil espécies — o triplo do que foi registrado no litoral brasileiro. A abundância se deve justamente à barreira de corais, que concentra uma grande biodiversidade.

Fonte: D24 am

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